Terça-feira, Novembro 28, 2006

Lembrete

Mais pra mim do que pra vocês...


Oh, well, eu acabei de lembrar que ainda tenho que vender os convites da festa de formatura. Então, alguém aí quer um? Olha, vai ser uma festa legal, e... hm... é, eu não sei bem o que fazer. Não mesmo.

Segunda-feira, Novembro 27, 2006

Finalmente, férias... VIU??? FÉRIAS!!!

Um post absolutamente despreocupado com a Vida, o Universo e Tudo o Mais, de uma pessoa que quer mais aproveitar pra cair na gandaia ^^


Sabe o quê?
No final, (embora não seja o final realmente,) eu estou muito satisfeita por não ter me preocupado muito com o vestibular. Só espero que as notas de corte não aumentem muito... õ.õ... (ok, ":þþþþþ"... nem te conto...) Oh, well, estou feliz, de qualquer forma. Está sendo um bom dia ^^

A gente às vezes sente, sofre, dança
sem querer dançar...
Na nossa festa vale tudo
Vale ser alguém como eu, como você...


E ontem foi um dia bom também. Até porque quando eu acordei, às nove e pouco da manhã, eu só tive um pensamento muito vago de "hm, hoje tem fuvest...". Depois desse pensamento vago, fui tomar café, fiquei lendo jornal um bom tempo (havia uma grande discussão a respeito da reforma da previdência, do exagero dos gastos do setor público -- que absurdo, não? um governo querer ficar gastando com "saúde" e "educação" quando deveria estar mais preocupado com investir na idústria! -- e de como o Lula acha que não se deve jogar a dívida nas costas dos pobres -- algo que aliás apareceu em todas as manchetes, mas em nenhum dos textos em si oO''); depois arrumei meu quarto e fui nadar ^^ Quando estava nadando, papai me pediu pra limpar a piscina, e eu limpei de bom grado (mas agora é claro que já está toda suja de novo, com essas chuvas...), e mamãe me chamou para plantar a mui frolida azaléia que ela me dera de aniversário. ... Vocês sabem que meu time de festa dos esportes da primeira série chamava Azaléia? Acho que por isso o tal arbusto de flores róseas tem uma importância especial pra mim.... (eu gostava de ter f.e.'s temáticas...)

Depois de fazer isso tudo, tomei um banho, vesti a blusa que a Chris me deu de aniversário, peguei água e comida (melhor dizendo, mamãe e Marco me encheram de bolachinhas de lanche...) e entrei no carro. Chegando na FEA, encontramos a Maya, o Yuri, o Nic, e cadeiras almofadadas! (que luxo!) E os vigiadores da minha sala eram simpáticos, e as regras pareceram-me menos rígidas que as das provas do Santa, e all in all eu não tive muitos motivos pra ficar nervosa. Acho que o que mais me incomodou foi o frio. E a mesinha ultra-lisa da qual meu material ficava escorregando.

Abra suas asas
Solte suas feras
Caia na gandaia
Entre nessa festa


Saindo de lá, às 18h10, encontrei o Nic, o Yuri, o Marco, a Maya e o Giovanni(!). Fomos pra casa, depois fomos comer no Spoleto, depois fomos conhecer o gato do Gio, que é um pequerrucho muito fofinho. Foi um dia bastante bom ^^

Me leve com você-ê-ê-êê
No seu sonho mais lou-ou-ou-ou-ouco...


Meu, que mêdo desse tempo. Tá chovendo medonhamente, são três horas da tarde e todas as luzes da rua estão acesas porque 't's escuro! Ai, como eu adoro o verão! =^______^=

...Quero ver seu corpo
lindo lindo leve solto!

Sexta-feira, Novembro 24, 2006

Não.

Eu simplesmente não estou afim. Não estou afim de não conseguir falar com você, de te esperar, de você não ligar. Nào estou afim de acompanhar o grupo de teatro, de ficar dando parabéns, a torto e a direito. Não estou afim de estudar prà Fuvest, de correr atrás do informação, de perder as festas, de ficar nervosa. Nem estou afim de ignorar totalmente a fuvest, de não estudar nunca e decidir não passar. Não estou afim de discussão. Pronto.

Quinta-feira, Novembro 23, 2006

Mudança de Modelo

Sobre os recém-configurados subtílulos


... O subtítulo é, essencialmente, uma entrelinha.

Quarta-feira, Novembro 22, 2006

Boa Noite

poema de Castro Alves

Boa noite, Maria! Eu vou-me embora.
A lua nas janelas bate em cheio.
Boa noite, Maria! É tarde... é tarde. .
Não me apertes assim contra teu seio.

Boa noite! ... E tu dizes - Boa noite.
Mas não digas assim por entre beijos...
Mas não mo digas descobrindo o peito,
— Mar de amor onde vagam meus desejos!

Julieta do céu! Ouve... a calhandra
já rumoreja o canto da matina.
Tu dizes que eu menti? ... pois foi mentira...
Quem cantou foi teu hálito, divina!

Se a estrela-d'alva os derradeiros raios
Derrama nos jardins do Capuleto,
Eu direi, me esquecendo d'alvorada:
"É noite ainda em teu cabelo preto..."

É noite ainda! Brilha na cambraia
— Desmanchado o roupão, a espádua nua
O globo de teu peito entre os arminhos
Como entre as névoas se balouça a lua. . .

É noite, pois! Durmamos, Julieta!
Recende a alcova ao trescalar das flores.
Fechemos sobre nós estas cortinas...
— São as asas do arcanjo dos amores.

A frouxa luz da alabastrina lâmpada
Lambe voluptuosa os teus contornos...
Oh! Deixa-me aquecer teus pés divinos
Ao doudo afago de meus lábios mornos.

Mulher do meu amor! Quando aos meus beijos
Treme tua alma, como a lira ao vento,
Das teclas de teu seio que harmonias,
Que escalas de suspiros, bebo atento!

Ai! Canta a cavatina do delírio,
Ri, suspira, soluça, anseia e chora. . .
Marion! Marion!... É noite ainda.
Que importa os raios de uma nova aurora?!...

Como um negro e sombrio firmamento,
Sobre mim desenrola teu cabelo...
E deixa-me dormir balbuciando:
— Boa noite! — formosa Consuelo.

psst: se eu ficar muito tempo sem falar deste poema novamente, alguém por favor me cutuque.

SCENE V. Capulet's orchard.

Enter ROMEO and JULIET above, at the window

JULIET

Wilt thou be gone? it is not yet near day:
It was the nightingale, and not the lark,
That pierced the fearful hollow of thine ear;
Nightly she sings on yon pomegranate-tree:
Believe me, love, it was the nightingale.

ROMEO

It was the lark, the herald of the morn,
No nightingale: look, love, what envious streaks
Do lace the severing clouds in yonder east:
Night's candles are burnt out, and jocund day
Stands tiptoe on the misty mountain tops.
I must be gone and live, or stay and die.

JULIET

Yon light is not day-light, I know it, I:
It is some meteor that the sun exhales,
To be to thee this night a torch-bearer,
And light thee on thy way to Mantua:
Therefore stay yet; thou need'st not to be gone.

ROMEO

Let me be ta'en, let me be put to death;
I am content, so thou wilt have it so.
I'll say yon grey is not the morning's eye,
'Tis but the pale reflex of Cynthia's brow;
Nor that is not the lark, whose notes do beat
The vaulty heaven so high above our heads:
I have more care to stay than will to go:
Come, death, and welcome! Juliet wills it so.
How is't, my soul? let's talk; it is not day.


... às vezes ser mulher é estranho... como mulher, às vezes eu me sinto na responsabilidade de tornar ser mulher menos esquisito... ¬¬ mas estamos na era da música, não da poesia... *suspiro*...

Sexta-feira, Novembro 17, 2006

Dezoito anos, êh?

Então eu não postei nada no meu aniversário. Também, que importância tem isso? Acho que um weblog ou fotolog não é o lugar mais apropriado para se comemorar a passagem do tempo. Logo num espaço em que as coisas são registradas, ad eternum, sem elas mesmas sofrerem a passagem dos anos..! Inclusive, meu registro não seria fiel, pois com o tempo as formas das letras e as cores do fundo seriam inexoravelmente alteradas. Que importância tem isso? Penso que... há muito mais entre o céu e a terra que o que podemos registrar.

As coisas que passam pela minha mente agora envolvem organizar uma festa, tirar carta, passar no vestibular, encontrar o cara que faz aniversário hoje, fazer um presente pra ele, bonequinhos de One Piece (embora eu não ache que eu ainda tenho saco pra esse tipo de coisa), bonecos de fimo, Evil Maharaja (você lembra, Gato?), um sol estonteante lá fora, usar saia rodada, piscina, marshmellow*, RK, o desespero de não ter os telefones das pessoas com quem eu preciso falar, entre outras cositas mas.

Num dia bonito como este, eu não consigo não ficar feliz. Feliz dia de sol! Não vou dizer que amo vocês. Até mais!

(*)que pensamento mais invernal! o que ele está fazendo aí?

Quinta-feira, Novembro 16, 2006

Resposta ao comentário da Lorena

Tudo bem, Lori. É que a vida não me preparou para as coisas terem conseqüências, entende? Eu peguei a minha primeira recuperação de verdade este ano, e até gostei (!) de fazer a prova, o trabalho, etc. Por isso, não consigo sequer imaginar como é falhar em uma prova importante. É um conceito que parece não existir pra mim, e meu grande mêdo é que o meu mêdo de falhar nessa prova seja tràgicamente menor do que o que eu deveria estar sentindo. Às vezes eu acho que eu estaria mais feliz fazendo cursinho. Será? Ou será que eu só ficaria de saco cheio, e aprenderia um pouco mais, mas com um custo emocional desproporcional? O que vale a pena? ...

Quarta-feira, Novembro 15, 2006

De Aflições e Passados Obscuros

Te ver e não te querer
É improvável, impossível...


Hoje foi um dia esquisito, aleatório. Começou com eu acordando às quatro da tarde. Eu havia fechado a janela, por isso dormi tanto tempo (umas onze horas). Acordei me sentindo esquisita, leve, muito fim-de-tarde. Queria vestir saia comprida, um vestido leve, traqüilo, mas claro que eu não tinha nada disso. Revirei armários. Tomei banho no banheiro da mamãe (onde tem espaço pra ficar sem se molhar!!!), me sequei com uma toalhinha de viagem =o.o='' Vesti uma roupa de baixo que eu nunca usara antes pra poder usar uma blusa cor-de-rosa que eu nunca usara antes, e pus uma calça bem aberta embaixo e uma bota amarela. Isso tudo foi pra vocês entenderem o quão esquisita eu estava me sentido; na verdade, eu cheguei a pensar em me vestir de uma forma muito semelhante à que a Maya se vestiu quando fomos na festa do Equador (*sem comentários...*).

Então eu enchi um pão integral com carne moída tirada d pasteizinhos e comi o pão e os pasteizinhos vazios. Fui lá fora papear com as pessoas que estavam na piscina e descobrir o que era aquela página de história em quadrinhos que aparecera no meu quarto. Depois, fui chamada de Pirralha muitas vezes. Finalmente, fui pro clégio, procurar o grupo de teatro.

Na verdade eu não encontrei o grupo de teatro. Quando cheguei no santa, encontrei foi o Guigo, distraído, voltando da mesma procura, sem sucesso. Trocamos alguma impressões de revolta (afinal, o ensaio não ia até as sete? não tinham o dia inteiro?) e saímos passeando. Entramos no prédio dele, deitamos na grama do jardim, papeando, céu imenso, parquinho, janelas. Passou a Giulia indo embora, ela disse que o pessoal tava no campo. Fomos encontrá-los. Encontrar-vos.
Vocês estavam jogando mafioso quando aparecemos por cima do muro, assoviando e rindo. Pareceram assustados, surpresos. Fomos cumprimentá-los, nada demais. Depois, subimos para pegar uma bola. Comi sorvete de chocotone com brigadeiro, mas isso não vem ao caso. Quando descemos, estavam jogando um jogo da verdade curioso, e nos convidaram para participar. Adoro jogo da verdade, mas prefiro futebol, e recusei. Eu e o Guigo jogamos bola, até que chegaram Leli e Tutti. Aí, eu já desistira do futebol, e queria entrar no jogo de vocês, mas elas não quiseram. Fomos lá para cima e, quando voltamos, chovia. Fomos até a casa do Nonô antes de descobrirmos que vocês estavam no quiosque. Quando os encontramos, vocês nos deram uma escolha: ou entrávamos no jogo ou íamos embora. Eu queria entrar, e talvez o Guigo também quisesse, mas as meninas tinham uma opinião muito ruim sobre jogos nos quais se faz perguntas embaraçosas sobre aspectos íntimos da sexualidade de cada um... Ok, eu também tenho, mas não é essa a questão. Eu achei que o jogo podia ir para assuntos interessantes, eu acho. Elas não. Por isso fomos embora, fazer nosso próprio jogo. Conversamos por muito tempo, até que a Tutti foi embora. Ficamos, eu, a Leli e Guigo, a andar pelo condomínio, conversando, falando de aflições e passados obscuros. Até que a Leli também teve que ir embora. Fomos, eu e Guigo, até a grade que nos separava de vocês, pensando em pular. Mas ficamos receosos, ele mais que eu. Seríamos bem-vindos? Vimos vocês andando em nossa direção, resolvemos esperar. Vocês pularam a grade, mas queriam fazer alguma coisa, e nós conversávamos, animadamente, estávamos alegres, eu acho. Fomos todos para o parquinho, onde vocês decidiram ir embora. Eu resolvi ir também. Não entendi nada. No fim, eu fui embora antes de alguns de vocês...

Amanhã é meu aniversário, e eu estava só pensando em como tudo isso faz pouco sentido. Ao meu redor, tenho amigos que não querem se permitir nenhuma distração do vestibular, tenho amigos que brigam comigo quando eu não estudo; tenho amigos que estão ocupados olhando pro céu, discutindo bobagens, contando histórias sobre outros amigos; tenho amigos que querem falar sobre sexo, sobre sonhos, sobre drogas, sobre leis, sobre política, sobre amizade, sobre dinheiro, sobre a Verdade; tenho amigos que querem se divertir, aprender, construir amizades, crescer; tenho amigos que não querem, ponto. Eu não sinto nada disso. Nada mesmo. Eu quero me construir, devagar, com calma, sem mêdo, sem pressa, sem precisão (vocês percebem a polissemia?). Eu me importo com vestibular. Mesmo. Eu quero passar. Mesmo. Mas também quero arrancar minha tripas e fazer delas uma forca toda vez que a Camilla faz cara de indignada em resposta a eu achar que não é preciso estudar no feriado. E também quero fazer protestos violentos toda vez que eu ligo pra algum amigo com o qual quase não saio e ele não pode sair comigo porque tem que estudar todos os dias da semana. Não entendo como alguém pode pretender ser feliz nesse regime. E as amizades? e o tempo pra fazer besteiras? pra correr na chuva, cadê? Pra dançar, conversar, aprender o outro? e namorar? e fazer amigos? Enfim, isso tudo me incomoda, profundamente...

Segunda-feira, Novembro 13, 2006

Smile

I'm actually quite glad about my self =^__^=
I hadn't felt like that in a loooong time, so it's amazingly good :)
And in fact I don't think I deserve that feeling, but perhaps I should do something to make that right =)

Madness

I'm afraid that you are gonna disappear.
One day I'm gonna look around and you won't be anywhere near.
I'm afraid that when you go, I'm not even gonna miss you
'cause that's when I won't know you anymore
So tell me what is it about you that's the same you were before...

I look around and something's out of place
These are lost memories escaping time's letal embrace
I know once we were togheter and we both laughed and cried
'cause I think we thought "this's forever" and it wasn't long at all
Though life is unpredictable and rising stars often fall...

But then one day I was walking down the street and my way crossed your way
(though you didn't see me)
And the other day I met you and we talked but you looked sad and I ment to cheer you
but you turned your face

I whispered that that was madness
you always look away
I'm dancing like a maniac
and if you give the crowd a hopeless gaze
I wanna unmake your sadness

I remember once you took me to my room and we tried to exchange some news
but we never really talked
And the other day we took a walk and I held your arm and for once I couldn't help it asking what
(I think you know how it feels)

I whispered that that was madness
once again you looked away
I'm dancing like a maniac with my boy
and if you give the crowd a hopefull gaze
I envy that kind of sadness
(do you envy my kind of joy?)

Domingo, Novembro 12, 2006

Verbete

Eu preciso dizer algo que muito me impressiona. Algo que descobri agora mesmo, quando procurava a definição de dicionário para "Ironia" e "Sarcasmo".

Ao que parece, o Novo Dicionário Básico da Língua Portuguesa Folha/Aurélio37 definições diferentes para a palavra IR, além de definições específicas para "Ir muito longe", "Ir navegando", "Ir-se desta para melhor" e "Ir ter com", duas definições para "Ir ter à" e quatro para "Ir longe". Amazing, eh?

Depois deste post, estou indo procurar a definição de "verbete", também.

Esqueço-me...

Na verdade, me sinto bastante estúpida. Esse sentimento impregnou em mim, desde o momento em que o Luque falou: "você não foi no colégio, né?". Na verdade, esse sentimento atrapalhou todas as outras coisas que eu tinha de conseguir. Esse sentimento de culpa, de impotência perante um erro cometido inconscientemente, esse sentimento de não-dá-mais. Não dá mais pra ratificar meu deslize, que parece pequeno mas é grande: esqueci mesmo, completamente, do que eu deveria fazer hoje. E era tão simples! Ir ao colégio, encontrar alguns amigos, participar do encontrinho... Detesto esse esquecimento, que me pega desprevenida quando... quando já é tarde demais... ¬¬

Sabe o quê? A reticência às vezes é uma exclamação contida...

Sábado, Novembro 11, 2006

Olha pra mim...

Eu quero escrever. Não sei porque, nem como, nem qual é exatamente o assunto. Não sei de que matéria são feitas as palavras, não sei que influência elas terão sobre suas vidas. Eu não posso me ver, e não quero dizer que as palavras se submetem a seus escritores. Não: as palavras nos desprezam, as palavras são em si. Nós somos apenas seus carrascos, seus escravos, instrumentos de sua indecifrável (e talvez por isso, perversa aos nossos olhos) autodeterminação. As palavras escorrem por nós como um rio sobre seu leito; um rio que cava seu leito desnudando pedras, pepitas, mistérios, que cava uma trilha na mata ou um cânion no deserto. Entretanto, eu já dissera antes: o solo esculpe o rio. Ou seremos nós esse rio caudaloso, desvairado, que arranca de seu leito pedras, pepitas, mistérios, palavras que ele mesmo não compreende? Talvez, seguindo um princípio psicobiológico deduzido empiricamente, eu queira escrever somente porque permitir o fluxo das palavras sobre mim, ao mesmo tempo que arranco-as de sua condição sólida (estado de dicionário), é minha melhor possibilidade neste instante. Será? E se escrevo, estarei saciando uma fome de realizar para todos o sacolejo inconstante desse córrego que meandreia dentro do meu peito? Estarei me libertando do sufoco de uma enchente ou de um assoreamento?

Quero escrever sobre aquelas pequenas tolices que descubro, fascinada, durante o dia: as copas das árvores não disputam espaço; o céu, cantado sempre azul, é muitas vezes vermelho, roxo, violeta. Descobri também, com grande surpresa, que gosto (e me assombro outra vez ao admiti-lo) do cheiro do cigarro. É algo difícil de assimilar, contraditório (mas eu sou mesmo contraditória), que pra mim é estranho compreender. Talvez o estranho seja que minha mãe, que fuma (...), não gosta do cheiro, e eu, que não fumo (e acho que não fumarei nunca) decubro que gosto. Talvez seja alguma associação psicológica, alguma lembrança da infância — cigarro, sítio ou praia, altas árvores, garrafa térmica de água gelada ou de café quente (gosto também do cheiro do café), conversas de família. Talvez o cheiro do cigarro me lembre de conversas muito longas com a Ada, nos sofás da sala em que brincávamos. Talvez... Fico pensando também numa descrição antiga, muito anterior a essa descoberta, que fala de "cheiros de poeira, de sujeira, de pano e cigarro", mas sem nenhuma conotação negativa:
"Tinha um cheiro... estranho. De corpo humano, de pêlos, de pele humana. Cheiro de gente presente, inconcebível em qualquer outro momento. Cheiro de pano e cigarro; impregnado naqueles cabelos que quase se poderiam chamar 'longos'.
Em qualquer outro momento eu repudiaria aquele cheiro. Era um cheiro capaz de me lembrar de doença, de secura, de tosse e desgosto. Porém naquele momento o que eu mais queria era aquele cheiro. Naquela hora o cheiro, tão simples e original, podia remeter à própria origem do cheiro."

---

"Cheiro de corpo humano, de sangue, de cerne humano. Cheiro de mãos, de braços, de olhos irrefutavelmente humanos. Cheiro de pêlos, de pele; a expressão mais física do calor humano."


A verdade é que não sei mais do que estou falando. Pensando bem, eu nunca sou exatamente categórica nas coisas, e não me esforço para ser. Não devo mais escrever, devo ir comer. Boa noite, liriidas.

Segunda-feira, Novembro 06, 2006

Sobre Lobz, Kyiuri, o Bibliotecário e... bem, eu.

Estou postando por falta do que postar. Pensamentos incongruentes me perturbam:
E se Lobz não for uma pessoa, mas uma sombra? E se o Bibliotecário estiver falando a verdade? E se for uma sombra com alma de gente? E se as lembranças se tornarem reais? E se Lobz fosse a sombra de Kiyuri? E se a Lôba nunca a encontrar? Qual terá sido o sentido disso tudo?

A grande questão, ao se escrever uma história, é que às vezes não parece fazer nenhum sentido contá-la. Como resolver essa questão?